Caramelos | Movimento Migratório da região de Coimbra para Palmela | De finais do séc. XVIII até iní

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Caramelos | Movimento Migratório da região de Coimbra para Palmela | De finais do séc. XVIII até iní

#352798 | Pedro SP | 09 Dez 2014 22:16

Caros confrades,

Estou a desenvolver um estudo sobre este movimento migratório, do qual também eu descendo e sobre o qual gostaria de aprofundar ainda mais conhecimentos.

Gostaria de saber se algum dos confrades está também a estudar esta comunidade migratória que tanto tem ainda por descobrir, nomeadamente as suas tradições e valores que trouxeram das suas terras de origem e que se foram perdendo.

Muito obrigado,

Pedro

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#352826 | Pedro SP | 10 Dez 2014 22:58 | Em resposta a: #352798

Renovo pedido

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#364613 | Pedro SP | 27 Dez 2015 01:42 | Em resposta a: #352826

Renovo pedido.

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Os Ratinhos das Beiras

#364622 | saintclair | 27 Dez 2015 12:53 | Em resposta a: #364613

-
Trabalhadores rurais [homens e mulheres] que iam à jorna para a zona do Ribatejo
[Borda de Água] e Além-Tejo,/Palmela.
Logo em 1 Novembro cada ano iniciavam a apanha azeitona, etc.
Os Distritos de Leiria,C.Branco,Viseu,Guarda,Coimbra e Aveiro era a proveniência desses
"Ratinhos das Beiras".
Claro que muitos se fixaram por esse imenso Alentejo e Ribatejo.
Se pretender analisar em pormenor estes " Caramelos", esteja à sua vontade para o fazer.
Cumprimentos
Sc.

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#364632 | oilime | 27 Dez 2015 16:48 | Em resposta a: #364613

Termo "Caramelo"

em "História de Pinhal Novo/Biografia de José Maria dos Santos


O termo "caramelo"
está relacionado com "caramuleiro" oriundo do Caramulo.
Mas, ao certo ainda não sabemos realmente quem foram os primeiros habitantes destes sítios, nem de onde vieram ou quando.
Muitas histórias se contam. Diz-se que a Sesmaria da Lagoa da Palha seria pertença de um Administrador Espanhol do tempo da ocupação Espanhola. Esta Sesmaria e a da Venda do Alcaide seriam habitadas por uns raros protegidos dos seus titulares. Trabalhavam na agricultura e seriam filhos de famílias desconhecidas, oriundos de terras longínquas.
Sabemos que por aqui também passavam os Espanhóis, dirigidos à Moita do Ribatejo com as suas mercadorias destinadas a Lisboa, utilizando para o efeito uma estrada desde Badajoz, a qual ainda hoje é conhecida por "a estrada dos Espanhóis", que passava por Águas de Moura, Pinheiro de Sete Cabeças, Areias Gordas, Palhota, Venda do Alcaide e Pinhal Novo (actualmente Rua Infante D. Henrique onde se situa a sede do Agrupamento de Escolas), onde se encontram as casas mais antigas da Vila.
O caramelo, gente de princípios religiosos, foi-se fixando e crescendo, arroteando e cultivando os terrenos.
Os seus contactos com os povos já existentes nos arredores, mais propriamente nos lugares da Carregueira e Lagoa da Palha levam-nos à necessidade de criar um Centro Sócio-Religioso.
As primeiras manifestações organizadas por estas gentes acontecem por volta do ano de 1833, com o aparecimento do Círio da Carregueira, mas a grande força de imigração deu-se a partir de 1850.
Os Caramelos, originários de uma zona profundamente religiosa, trouxeram vários hábitos e costumes, mas quando chegados a esta região rapidamente os abandonaram.
Viviam num mundo à parte. Os rituais do casamento chegavam a prolongar-se por três dias. Ao princípio casavam entre si, mas depois os cruzamentos foram inevitáveis.
A matança do porco é também motivo de festança, com jantarada, música e baile, em que confraternizavam os vizinhos.
Os funerais também tinham o seu ritual próprio e até foram criadas Irmandades com corpos gerentes, associações que faziam os funerais. São conhecidas duas Irmandades: a Irmandade de S. José na Venda do Alcaide com capas brancas e a do Senhor dos Passos com capas rochas. Ambas foram extintas em 1970. A linguagem do Caramelo é bastante característica. O homem Caramelo é seco, rude, trabalhador. A mulher é anafada, de rosto corado, pele tisnada pelo sol e trabalhadora. É desconfiado, mas correcto nas suas obrigações para com credores e benfeitores. Tem uma natural propensão para o negócio e, por natureza também é divertido, gostando de festas e Romarias. Diz-se acerca dos Caramelos: "... gente religiosa e respeitadora, cumpridora dos seus deveres ".

http://ebzecaafonso.blogspot.pt/2011/02/historia-do-pinhal-novo-biografia-de.html

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PINHAL NOVO

#364633 | saintclair | 27 Dez 2015 16:55 | Em resposta a: #364622

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...[Os Caramelos, também oriundos do litoral, entre Aveiro e Leiria, deslocavam-se para o sul do Tejo, para as zonas de Azeitão, Palmela e Pinhal Novo e foram os responsáveis pela expansão vinícola naquele local. Se de início a migração era sazonal, mais tarde, com a grande quantidade de charnecas e sesmarias, disponíveis para arroteia de conta própria, fixaram-se naquela zona deixando significativas marcas culturais e paisagísticas.]
--

A localidade de Pinhal Novo começa a progredir com a inauguração do caminho de ferro, desde 1856.
Nessa altura eram raros os habitantes e todos trabalhavam na agricultura, para o dono do Palácio da Lagoa da Palha.
Existiam apenas três casitas; uma do lado sul da linha onde se vendiam comidas aos passantes e duas do lado norte.
No ultimo quartel do séc. XIX, os grandes proprietários da região começavam a colonização da zona para cultivar as herdades, destinando parte delas ao emparcelamento, cedendo pequenas parcelas aos colonos em regime de foro, transformando-se em seguida em propriedade particular.
A colonização foi feita por colonos sazonais, imigrantes que vinham trabalhar nos arrozais do Sado e da margem Sul do Tejo e também vindos para trabalhar no caminho de ferro, os caramelos.
A eles se juntaram os ratinhos e trabalhadores agrícolas do Alentejo, na esperança de virem a ser proprietários. Mas, a já reconhecida insuficiência de mão de obra na região fez com que o grande agricultor, José Maria dos Santos contratasse também pessoal da Beira Litoral e Vale do Mondego.
Estes trabalhadores vinham normalmente com um contrato, findo o qual, regressavam às suas terras sendo chamados depois com novos contratos. Eram por isso chamados de ´caramelos de ir e vir´. Outros porém, também chamados de caramelos fixaram-se na região, sendo suas descendentes algumas famílias bem conhecidas dos Pinhalnovenses.
O termo ´caramelo´ está relacionado com ´caramuleiro´ oriundo do Caramulo. Mas, ao certo ainda não sabemos realmente quem foram os primeiros habitantes destes sítios, nem de onde vieram ou quando.
Muitas histórias se contam. Diz-se que a Sesmaria da Lagoa da Palha seria pertença de um Administrador Espanhol do tempo da ocupação Espanhola. Esta Sesmaria e a da Venda do Alcaide seriam habitadas por uns raros protegidos dos seus titulares. Trabalhavam na agricultura e seriam filhos de famílias desconhecidas, oriundos de terras longínquas.
Sabemos que por aqui também passavam os Espanhóis, dirigidos à Moita do Ribatejo com as suas mercadorias destinadas a Lisboa, utilizando para o efeito uma estrada desde Badajoz, a qual ainda hoje é conhecida por ´a estrada dos Espanhóis´, que passava por Águas de Moura, Pinheiro de Sete Cabeças, Areias Gordas, Palhota, Venda do Alcaide e Pinhal Novo (actualmente Rua Infante D. Henrique), onde se encontram as casas mais antigas da Vila.
O caramelo, gente de princípios religiosos, foi-se fixando e crescendo, arroteando e cultivando os terrenos.
Os seus contactos com os povos já existentes nos arredores, mais propriamente nos lugares da Carregueira e Lagoa da Palha levam-nos à necessidade de criar um Centro Sócio-Religioso.
As primeiras manifestações organizadas por estas gentes acontecem por volta do ano de 1833, com o aparecimento do Círio da Carregueira, mas a grande força de imigração deu-se a partir de 1850.
Os Caramelos, originários de uma zona profundamente religiosa, trouxeram vários hábitos e costumes, mas quando chegados a esta região rapidamente os abandonaram.
Viviam num mundo à parte. Os rituais do casamento chegavam a prolongar-se por três dias. Ao principio casavam entre si, mas depois os cruzamentos foram inevitáveis.
A matança do porco é também motivo de festança, com jantarada, música e baile, em que confraternizavam os vizinhos.
Os funerais também tinham o seu ritual próprio e até foram criadas Irmandades com corpos gerentes, associações que faziam os funerais. São conhecidas duas Irmandades : a Irmandade de S. José na Venda do Alcaide com capas brancas e a do Senhor dos Passos com capas rochas. Ambas foram extintas em 1970.
A linguagem do Caramelo é bastante característica. O homem Caramelo é seco, rude, trabalhador. A mulher é anafada, de rosto corado, pele tisnada pelo sol e trabalhadora. É desconfiado, mas correcto nas suas obrigações para com credores e benfeitores. Tem uma natural propensão para o negócio e, por natureza também é divertido, gostando de festas e Romarias.Diz-se acerca dos Caramelos: ´... gente religiosa e respeitadora, cumpridora dos seus deveres."
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinhal_Novo
http://www.quintadoriodao.com/port/out/caramulo.html
https://goo.gl/maps/b6FzTAPjWFr
Sc.

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#364634 | clover779 | 27 Dez 2015 18:29 | Em resposta a: #352798

Sugiro também a leituras de alguns blogs que já existem sobre as origens dos caramelos, sobretudo os Gandarezes, como por exemplo:

http://origenscaramelasraizesgandaresas.blogspot.pt/

Cumprimentos,
Nuno Silva

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Da Freguesia Mira a Pinhal Novo

#364697 | saintclair | 29 Dez 2015 14:19 | Em resposta a: #364636

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" Francisco de Miranda ( Mira, 1803 / Palmela, 1871 )
Francisco de Miranda nasceu em 1803 no lugar das Cavadas, freguesia de São Tomé de Mira. Pesquisando no Google Maps, verificamos que este lugar situa-se aproximadamente a 230 Kms do local de destino, sendo percorrido a pé ou, na melhor das hipóteses, de carroça ou de burro, uma vez que o caminho-de-ferro ainda demoraria umas décadas a ser inaugurado.
Distância entre os lugares de Cavadas e Carregueira.
Foi filho de António de Miranda e Rosária da Cruz; neto paterno de Manuel Jorge Loureiro e Estefânia de Miranda, do lugar dos Catarinões da freguesia de São João da Quintã Izento de Santa Cruz de Coimbra ( Tocha ), onde nasceram vários dos seus irmãos; neto materno de Francisco Ribeiro e Maria da Cruz, do lugar das Cavadas.
Chegou a esta região acompanhado de vários irmãos, tendo-se fixado no lugar da Carregueira ( atualmente freguesia de Pinhal Novo ). Em 1833 casou com Brígida dos Santos, natural da freguesia de Cadima mas igualmente moradora na Carregueira, na Igreja de São Jorge de Sarilhos Grandes ( até 1850, é frequente os moradores dos lugares da periferia da freguesia de São Pedro de Palmela frequentarem as Paróquias de Sarilhos Grandes, Moita e Aldeia Galega ( Montijo ), bastante mais perto; ainda hoje há uma grande proximidade entre as populações destas zonas de confluência entre os concelhos de Palmela, Moita e Montijo ); foram testemunhas do seu casamento os seus irmãos Manuel e António.
Francisco de Miranda faleceu em 1871, na Carregueira ( freguesia de Pinhal Novo ) três anos após ter enviuvado e tendo deixado vários filhos. Foi sepultado no cemitério público de Palmela.
Os documentos genealógicos comprovam que o lugar da Carregueira já era habitado muitos anos antes do caminho-de-ferro ter chegado ao Pinhal Novo e de José Maria dos Santos ter iniciado o seu grande empreendimento agrícola nesta região.
Nota: As freguesias referidas no título correspondem à organização administrativa da época, que nem sempre é a atual, uma vez que o ordenamento do território sofreu profundas alterações ao longo dos tempos."
Sc.

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Origens Gandaresas

#364702 | saintclair | 29 Dez 2015 16:30 | Em resposta a: #364697

-
"Nos registos paroquiais da Moita, nomeadamente aqueles que se referem às primeiras décadas do século XIX, é frequente o recurso ao vocábulo caramelo para designar a origem dos paroquianos.O seguinte assento de óbito, de 1830, constitui uma excelente ilustração dessa realidade."
http://4.bp.blogspot.com/-NSq1234H68E/VQhBPJpW8YI/AAAAAAAAAxY/Dm9yh_DZnmI/s1600/PT-ADSTB-PRQ-PMTA03-003-00006_m0075%2Bcaramelos%2Bmoradores%2Bnos%2Bbrejos.jpg
https://www.facebook.com/origenscaramelasraizesgandaresas
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/94/Estacao_de_Pinhal_Novo_nos_finais_Sec_XIX.jpg/800px-Estacao_de_Pinhal_Novo_nos_finais_Sec_XIX.jpg
Sc.

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RIO FRIO

#364705 | saintclair | 29 Dez 2015 18:56 | Em resposta a: #364702

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"Ratinhos das Beiras"
https://scontent-lhr3-1.xx.fbcdn.net/hphotos-xlp1/v/t1.0-9/q87/s720x720/10423628_821732247896108_1412603977343808052_n.jpg?oh=a5a76a408f8b26a9beec09788bdfb383&oe=571C9016
Grupo de beirões em Rio Frio, nos anos 20 do século XX.
Estes beirões, os "ratinhos", foram [e são hoje por força das famílias que criaram, ou dos que ficaram] determinantes na herdade de Rio Frio.
http://visoesdagandara.blogspot.pt/2015/06/os-movimentos-migratorios-da-gandara.html
https://www.facebook.com/Rio-Frio-a-herdade-e-os-riofrienses-121615721241101/?fref=photo
Sc.

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#364712 | Pedro SP | 29 Dez 2015 22:02 | Em resposta a: #352798

Caro confrade SaintClair

Muito obrigado pelas informações que me passou, algumas já tinha visto mas outras para mim são uma novidade! Que bom é a partilha que se estabelece por aqui, mais uma vez agradeço a sua boa vontade.

Desejo-lhe um Bom Ano de 2016!!

Com os melhores cumprimentos,

Pedro

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O Vale Rio Sado

#364718 | saintclair | 30 Dez 2015 12:36 | Em resposta a: #364712

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Pedro;
OK.
Para terminar envio este pequeno contributo.
Cumprimentos
Sc.
-
"Ribeira do Sado é o nome de uma região que se estende ao longo do vale do Rio Sado, no sul de Portugal, a partir de Alcácer do Sal e para montante, não longe de Grândola, a Vila Morena. São Romão do Sado é uma das aldeias existentes na referida região.
Quem agora for passear pela Ribeira do Sado, já não verá gente verdadeiramente preta diante dos seus olhos, nem encontrará moças da cor do carvão propriamente dito na aldeia de São Romão. A mestiçagem já se consumou por completo. Mas são por demais evidentes os traços fisionómicos observáveis em muitos dos habitantes da região, assim como a cor mais escura da sua pele, que nos remetem imediatamente para a África a Sul do Sahara.
Nem sequer é preciso percorrer a Ribeira do Sado. Se nos limitarmos a dar uma ou duas voltas pelas ruas de Alcácer do Sal, por certo nos cruzaremos com uma ou mais pessoas que apresentam as características fisicas referidas. São os chamados mulatos de Alcácer, por vezes também designados carapinhas do Sado. O seu aspecto é semelhante ao de muitos cabo-verdeanos, mas eles não têm quaisquer laços com as ilhas crioulas. São filhos de portugueses, netos de portugueses, bisnetos de portugueses e assim sucessivamente, ao longo de muitas gerações. Quando falam, fazem-no com a característica pronúncia local. São alentejanos.
É frequente atribuir-se ao Marquês de Pombal a iniciativa de promover a fixação de populações negras no vale do Rio Sado. Mas não é verdade. Existem registos paroquiais e do Santo Ofício que referem a existência de uma elevada percentagem de negros e de mestiços em épocas muito anteriores a Pombal. Segundo tais registos, já no séc. XVI havia pessoas de cor negra vivendo nas terras de Alcácer.
O vale do Rio Sado, no troço indicado, é um vale alagadiço onde hoje se cultiva arroz. Até há menos de cem anos, havia muitos casos de paludismo nesse troço. A mortalidade causada pelas febres palustres fazia com que as pessoas evitassem fixar-se naquela região. No séc. XVI, muitos portugueses embarcavam nas naus, o que agravava ainda mais o défice demográfico existente. Terá sido esta a razão por que, naquela época, os proprietários das férteis terras banhadas pelo Sado terão resolvido povoá-las com negros, comprados nos mercados de escravos. Os mulatos do Sado dos nossos dias são, portanto, descendentes desses antigos escravos negros."
https://www.youtube.com/watch?v=pwA1gXxWdmA
http://komporta.blogspot.pt/2010/01/negros-de-alcacer-ou-mulatos-da-ribeira.html
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#364724 | clover779 | 30 Dez 2015 17:55 | Em resposta a: #364723

Aqui, nas instalações da junta de freguesia da Sanguinheira (território que até meados do século passado fazia parte da freguesia de Cadima), e de onde partiam todos os anos muitos trabalhadores (uns sazonais, outros permanentes) para essas terras do Sado, existem uns azulejos oferecidos por uma junta de freguesia da região (creio que de Pinhal Novo) que retratam os "caramelos" que foram trabalhar para as herdades da região.
Também se chamavam os "caramelos de ir e vir" os que eram trabalhadores sazonais, e portanto voltavam uma parte do ano às terras arenosas e quase inférteis da Gândara.

Existe igualmente um estudo onde se compara a casa típica Gandaresa com as casas da região de Pinhal Novo, Mesão Frio, etc, sendo que as casas destas regiões apresentam muitos traços comuns com a casa Gandaresa.

Nuno Silva

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ACEIRO DOS CARAMELOS-POCEIRÃO

#364739 | saintclair | 31 Dez 2015 16:26 | Em resposta a: #364633

-
Nuno;
A Freguesia Sanguinheira deve ter com toda a certeza
contactos com a Junta Pinhal Novo e Camara de Palmela.
Como saberá existe um Museu em Palmela que relata a
diáspora dos Gândareses por terras do Distrito de Setúbal.
Tenho conhecimento que da zona da Tocha e Mira, no século
XIX tambem emigraram milhares de pessoas para o Brasil.
Se tiver mais alguma informação agradeço.
http://www.freguesiadesanguinheira.eu/
https://goo.gl/maps/fNhvVuH1L3w
https://goo.gl/maps/fNhvVuH1L3w
Bom ano 2016
Cumprimentos
Sc.

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#364747 | clover779 | 31 Dez 2015 19:31 | Em resposta a: #364739

Caro Sinclair,

museu esse que está ainda na minha lista para visitar numa próxima ida a Almada.

Eu tenho bastante família no Brasil, oriundos da região Gândara/Bairrada (Cadima, Tocha, Arazede, Outil, etc), e pode-se comprovar no familysearch e nos pedidos de passaporte do distrito de Coimbra, a quantidade de emigrantes desta região para o Brasil foi avassaladora, sobretudo desde finais do séc. XIX a meados do séc. XX.

Bom Ano,
Nuno Silva

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Movimento Migratório Região Caramulo para Pinhal Novo

#364749 | saintclair | 31 Dez 2015 21:44 | Em resposta a: #364747

-
"Ratinhos e José Maria dos Santos
Os caramelos são os migrantes vindos da Serra do Caramulo - daí a alcunha - e do Vale do Mondego para trabalharem nas grandes herdades desta região sul. Juntam-se aos "ratinhos", o nome que era dado aos que iam das Beiras fazer as ceifas no Alentejo.
Estes trabalhadores rurais foram atraídos pela enorme oferta de trabalho existente por estas bandas. Ofertas generosas (em quantidade), publicitadas boca-a-boca nas terras de origens por uma vaga de operários que chegaram ao sul por outro motivo. Esses primeiros trabalhadores a conhecerem estes vastos campos agrícolas, vieram com o comboio. Fixaram-se no Pinhal Novo quando o caminho-de-ferro chegou ao sul e esta localidade foi escolhida para um importante entroncamento ferroviário entre as linhas de Vendas Novas, para o Alentejo, e a de Setúbal, para o Algarve. A construção do ramal ferroviário entre Pinhal Novo e Setúbal teve início em 1859.
A sul do Tejo, com vastas propriedades que se estendiam até ao Alentejo, pontificava José Maria dos Santos (1831-1913), figura incontornável da história desta terra, como politico e, sobretudo, proprietário agrícola.
“O seu testamento é o de um senhor feudal. As suas imensas propriedades, que faziam dele um dos mais ricos homens de Portugal, foram repartidas pelos seus sobrinhos em fatias correspondentes a concelhos”, recorda Aníbal de Sousa, numa evocação no centenário da morte de José Maria dos Santos, publicada em Junho de 2013.
“Foi deputado por incontáveis mandatos, Par do Reino, primeiro por eleição e depois vitalício por nomeação régia. Revolucionou a Agricultura portuguesa e foi o introdutor do adubo químico em Portugal”, lê-se também no documento do investigador pinhalnovense.
O casamento à Caramela, tem por, isso, muita relação com o antigo grande proprietário agrícola.
“A acção de José Maria dos Santos foi determinante no processo das transformações do povoamento e das culturas na área de Pinhal Novo”, como destaca Aníbal Sousa na mesma evocação."
http://www.publico.pt/local/noticia/casaramse-assumindo-que-sao-um-belo-par-de-caramelos-1696554
http://www.cm-palmela.pt/uploads/writer_file/document/179/oscaramelosLIVROnet.pdf#page=15
Sc.

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Os Egrégios Avós de Pinhal Novo

#364755 | saintclair | 01 Jan 2016 16:53 | Em resposta a: #364749

-
... José M. Santos, fixou cerca de 400 casais de Caramelos Beirões numa área de 2.000 Ha
de paul, que arroteou em glebas de 6 Ha e cedeu aos "Colonos" mediante contratos de
arrendamento a longo prazo {em vida}no valor de 1$000 por hectare.
Para que os Colonos se pudessem estabelecer emprestava-lhes com o juro de 5% o capital
necessário para construirem a casa de habitação e adquirirem as alfaias e as sementes...
O próprio José Maria Santos fez várias viagens a Coimbra para contratar pessoal de Mira,
Tocha, Cantanhede etc., trazendo para Pinhal Novo de cada vez cerca de 50 pessoas...
https://www.ces.uc.pt/myces/UserFiles/livros/1097_Rio%20%20Frio.doc.pdf#page=45
Sc.

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Os Egrégios Avós de Pinhal Novo

#365023 | saintclair | 11 Jan 2016 18:38 | Em resposta a: #364755

-
Portugal – o Mediterrâneo e o Atlântico- de Orlando Ribeiro;
"Um cronista do século XV resumia Portugal a aldeias e desertos. Terá sido esse, o ponto de partida de Orando Ribeiro (1911-1997) para este livro clássico cuja primeira edição é de 1945. Segundo o autor, a Geografia é, na sua essência, a compreensão da terra e da gente, o mesmo é dizer «os camponeses, pastores, moleiros, almocreves, pescadores e gente de outros ofícios» que, mesmo não podendo ler este livro, o ajudaram a escrever.
Um dos aspectos mais curiosos destas páginas tem a ver com as migrações: «As ceifas do Alentejo atraem grandes camaradas de trabalhadores. Sob a direcção de um manageiro, os ratinhos descem das montanhas mais pobres de Portugal: pequenos, delgados e nervosos, investem com denodo as searas mais opulentas. No trabalho das valas e arrozais, são exímios os Caramelos do Baixo Mondego e da Ria de Aveiro. Vêm principalmente para a região de Setúbal e o Vale do Sado, assim como os Gaibéus do Norte do Ribatejo e das serras confinantes acodem à Lezíria para o mesmo fim. Gente das praias da Foz do Lis costuma, durante o Inverno, vir pescar ao longo do Tejo: os da Borda de Água chamam-lhe Avieiros e muitos por aqui arrastam um destino errante, tendo o barco por única morada.»"
Sc.

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Gil Vicente Auto da Barca do Inferno

#365045 | saintclair | 12 Jan 2016 15:19 | Em resposta a: #365023

--
"E que he isto na má ora? . E o batel está em secco. O rio s’ encaramelou!. Quando na Beira Baixa e Litoral gelavam os rios pessoas e gado atravessavam de uma margem para a outra Leite de Vasconcelos refere "caramelo" como fio de água gelada a pender das beiras dos telhados. Esta ideia de rijeza, resistência e pertinácia terá passado da água para as pessoas."
http://purl.pt/421/1/index.html#/13/html
Sc.

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#365051 | Pedro SP | 12 Jan 2016 21:31 | Em resposta a: #352798

Obrigado confrade Saint Clair por me ir dando novidades sobre os Caramelos!! Adoro!!

Com os melhores cumprimentos,

Pedro

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#365052 | saintclair | 12 Jan 2016 21:37 | Em resposta a: #365051

Caro Pedro;
Ainda sobre aquelas fotos dos seus familiares,
tudo leva a crer que serão de pessoas vindas
de Cantanhede,Tocha ou Quiaios.
Se vc. colocar os respectivos nomes e anos,talvez
se consiga qualquer coisa....
OK.
Sc.

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#366768 | saintclair | 04 Mar 2016 20:27 | Em resposta a: #365052

-
http://www.cm-barreiro.pt/pages/853

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Rio de Moinhos-Vale do Sado

#367866 | saintclair | 04 Abr 2016 15:09 | Em resposta a: #366768

-
A origem dos Portugueses;
https://www.youtube.com/watch?v=6JhmjO6jWNo
Sc.

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O Hospital-Colónia de Rovisco Pais- TOCHA

#371860 | saintclair | 12 Jul 2016 12:17 | Em resposta a: #367866

-
http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=3332&type=Video

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